Entre Função e disrupção!
Nascido nos 70’s, na bela cidade de Portimão, o rapaz desde cedo revelou um jeito e uma curiosidade grandes pela arte, fosse ela em forma de desenho ou música. Frequentou, no ensino preparatório, o antigo curso de Arte e Design, no qual superou as expectativas dos formadores, assim como as suas próprias. Desde tenra idade que visitava também o mundo dos jogos de computador, nos quais apreciava especialmente o grafismo e todas aquelas propriedades visuais que, na altura, ainda ninguém achava que poderiam servir para grande coisa.
Mais tarde, já no secundário, o rapaz decidiu abraçar a futurologia e seguiu os estudos na área da informática. Por lá destacou-se por feitos académicos de enorme relevância, entre os quais ter sido o primeiro e único aluno a descobrir a password do computador do professor. Anos depois rumou a Faro para frequentar o curso de Engenharia de Sistemas e Comunicação. Acontece que a noite da cidade, os colegas e alguma ingenuidade juvenil acabaram por deixá-lo perigosamente próximo das saídas noturnas e consideravelmente longe das aulas matinais.
Algum tempo depois, já de regresso a Portimão, voltou a aproximar-se daquilo que sempre o tinha perseguido: o lado visual das coisas. Frequentou o curso de Arquitetura no ISMAT, onde desenho, espaço, forma e conceito começaram a ocupar um lugar cada vez mais sério no meio de toda aquela rebeldia macaca. Após estes anos de aprendizagem académica e marginal, o rapaz decidiu dedicar-se ao empreendedorismo, abrindo, com largo sucesso, uma loja de parafernália de produtos de música e afins. Ainda com a loja em andamento, e perante a habilidade natural do jovem para as artes do grafismo, foi convidado a trabalhar como designer gráfico numa agência/gráfica da sua cidade natal. Por lá engrandeceu, durante largos anos, a cultura da criatividade, da comunicação e do marketing de marca com uma naturalidade absolutamente espetacular — segundo fontes próximas do próprio.
Em paralelo com esta atividade, o rapaz, sempre com um olho na marginalidade inata, decidiu abrir um bar de música ao vivo bem no centro da localidade algarvia. Foi, sem qualquer dúvida e com total imparcialidade desta biografia, o local cultural mais orgásmico do Barlavento Algarvio durante mais de 10 anos. Muito o rapaz aprendeu e muito deu a aprender naquela que viria a ser uma das suas aventuras mais modernas, intensas e surpreendentes. Com a chegada da doença da nova era, a COVID, o rapaz foi obrigado a fechar as portas à marginalidade. Continuou, a partir do seu lar, a desenvolver trabalhos exemplares de design gráfico, assim como fotografia e vídeo, com e sem drone — essa peça fenomenal de tecnologia rarefeita que permite a um adulto justificar perfeitamente andar a brincar com um comando.
Mas a marginalidade não ficou por ali. Da vontade de continuar a agitar culturalmente a região nasceu a Associação Cultural Marginália, da qual o rapaz é Presidente. Entre concertos, projetos, eventos e outras ideias de sanidade discutível, a associação tornou-se uma forma de continuar a criar espaço para a música, a cultura e para quem insiste em fazer coisas fora do sítio onde normalmente as esperam.
Mas a pandemia também o empurrou para outras aventuras. Abriu uma loja online dedicada aos mais grunhos dizeres algarvios. “O Algarvio” teve tanto sucesso que o gajo despachou mais de 2500 shirts para todo o lado e mais algum.
Depois de informática, engenharia, arquitetura, empreendedorismo, música, noites intermináveis, design gráfico, fotografia, vídeo, drones, bares, associativismo cultural e t-shirts algarvias, o rapaz decidiu finalmente fazer uma coisa bastante inesperada: voltar à universidade para estudar Design. Talvez porque, no fundo, tenha passado a vida inteira a fazê-lo sem saber.
Porque um currículo sem estatísticas completamente desnecessárias não é um currículo sério, Durante todo este tempo, o rapaz foi também o melhor marcador de golos do Parque da Juventude de Portimão, com mais de 1100 golos em 320 jogos.